Julho 10, 2009

"Senhor dos Céus..." de Hélder José P. A. Barreto



Globo cria área de jornalismo e esporte, aos cuidados de Carlos Henrique Schroder


Cargo atual do jornalista gaúcho, chefão do jornalismo, fica com Ali Kamel


A TV Globo está implantando a área de Jornalismo e Esporte, dando continuidade ao modelo de gestão já adotado para as áreas de Entretenimento e Comercial.

Em comunicado, a emissora diz que "no conceito de unidades produtoras de conteúdo, o novo modelo de gestão permitirá maior participação e integração das equipes na criação e produção de conteúdos para TV aberta, TV fechada, internet e novas mídias digitais".

Ainda de acordo com a nota, o objetivo é estimular "a inovação em formatos e na linguagem e redistribuir as atividades e as responsabilidades para melhor avaliar os processos, sua qualidade e produtividade".

A área de Jornalismo e Esporte será constituída por uma direção geral, que terá sob a sua gestão a Central Globo de Jornalismo, a Central Globo de Esportes, agora criada, e a nova Diretoria de Desenvolvimento e Programas Especiais.

Carlos Henrique Schroder ocupará o cargo de diretor geral de Jornalismo e Esporte, reportando-se à direção geral da Globo.

As demais mudanças no organograma:

Central Globo de Jornalismo - Ali Kamel assume a CGJ, que passa a ter duas direções executivas: uma para conteúdo, com Luiz Cláudio Latgé, e outra para produção, com Renato Ribeiro.

A direção do Jornal da Globo fica com Ricardo Villela. Erick Bretas assume a editoria Rio. A direção da Globo News fica a cargo de César Seabra.

Central Globo de Esportes - Luiz Fernando Lima assume a direção da CGESP, "que nasce da crescente importância estratégica que o esporte representa para as plataformas na TV aberta, TV fechada, internet e novas mídias".

Desenvolvimento e Programas Especiais - Alice Maria assume a DDPE, reportando-se a Carlos Schroder, "com a missão de desenvolver novos talentos, contribuir para a manutenção da qualidade e supervisionar os programas com formato jornalístico voltados para responsabilidade social, além do programa Pequenas Empresas Grandes Negócios".

Travesti que se envolveu em polêmica com Ronaldo morre em São Paulo


Andréia Albertini, de 22 anos, morreu nesta quinta-feira (9), em Mauá. Enterro está previsto para a manhã desta sexta-feira (10)

Do G1, no Rio e em São Paulo

Morreu nesta quinta-feira (9), em Mauá, na Grande São Paulo, André Luiz Ribeiro Albertini, de 22 anos. Ele ficou conhecido como a travesti Andréia Albertini após protagonizar um escândalo com o jogador Ronaldo, em abril de 2008, no Rio de Janeiro. A informação foi confirmada por seu advogado, Eduardo Swiech, posteriormente com a mãe, Sônia Maria Ribeiro.

O corpo está sendo velado desde as 20h no Cemitério Jardim Santa Lídia, em Mauá. O enterro está previsto para as 10h desta sexta-feira (10).

De acordo com a mãe, o médico que atendeu a travesti disse que ela tinha pneumonia, e uma tomografia indicou que Albertini estava com meningite. “Quando falava ou tossia, eu percebia que ela estava com o pulmão cheio e mal conseguia respirar”, detalha Sônia Maria. Segundo o advogado, Albertini estava internado há dois dias no setor de pneumonia do Hospital Nardini.


Escândalo

Em abril de 2008, uma confusão entre clientes levou a polícia a um motel na Barra da Tijuca, no Rio. Três travestis e o jogador Ronaldo foram encaminhados para a delegacia.

Segundo o delegado responsável pelo caso contou na época, Ronaldo disse ter procurado garotas de programa, mas, ao chegar ao motel, desistiu porque teria constatado que eram travestis. Mesmo assim, o jogador teria feito questão de pagar.

Ainda segundo o delegado, na versão de Ronaldo, dois dos travestis aceitaram o pagamento, mas André Luiz Ribeiro Albertini exigiu R$ 50 mil e ameaçou tornar público o encontro.

Julho 07, 2009

MICHAEL JACKSON <> We Are The World

Michael Jackson

A verdadeira riqueza


Marina Silva
De Brasília (DF)

Mudanças climáticas deixaram de ser assunto restrito a cientistas, ambientalistas e a quem procura ter uma postura ecologicamente correta. Chegaram ao mundo da economia, do comércio, espaços normalmente imunes a apelos que não sejam os do lucro. Descobriu-se o óbvio: o meio ambiente faz parte do jogo econômico. Ignorá-lo é perder.

A Organização Mundial do Comércio (OMC) já assume que a economia global será duramente afetada pelas mudanças climáticas. A tese está no recente estudo "Comércio e Mudança Climática", feito em conjunto com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP). O relatório prevê taxação de mercadorias provenientes de nações que não cortem suas emissões de gases do efeito estufa. Seria uma forma de evitar que benefícios climáticos obtidos com o corte de emissões em alguns países sejam anulados pela importação de produtos mais baratos de outros que não fazem a sua parte.

Trata-se de um bom passo adiante. O modelo predatório e ambientalmente irresponsável de desenvolvimento fica cada vez mais anacrônico. É a mudança de paradigma, como foi, há mais de um século, o fim do uso de mão-de-obra escrava.

Quando as nações pouco a pouco apoiaram o fim da escravidão, muitas e poderosas vozes acenaram com iminente colapso econômico, caos social, queda da produção e prejuízos "inaceitáveis" para os donos de escravos. Hoje esses argumentos soam vergonhosos, desumanos e, claro, antieconômicos. A história mostrou que, ao libertar milhões de pessoas da escravidão, o mundo pôde gerar mais riqueza, em condições muito mais aceitáveis.

O argumento de prejuízos "inaceitáveis" continua a ser brandido, agora contra a proteção ambiental, mas, paradoxalmente, o pragmatismo dos que se apegam apenas ao cálculo econômico os levará à necessidade de buscar a sustentabilidade socioambiental. Pois fica patente que a riqueza é mais do que crescimento do PIB. A preservação da natureza é garantia do PIB futuro, é também ativo econômico.

Contudo, esse importante avanço no mundo da economia não pode se transformar em estratégia para transferir ônus para os países pobres, como estamos acostumados a ver. Os países ricos, de economias hipercarbonizadas, devem dar conta, também, das emissões de suas indústrias de ponta. A regra tem que ser igual para todos, segundo o princípio das responsabilidades diferenciadas. E é preciso lembrar que, antes de ser mais um elemento da análise econômica, cuidar do meio ambiente é compromisso ético, de respeito ao planeta e à qualidade de vida das gerações atuais e vindouras.

Marina Silva é professora de ensino médio, senadora pelo PT do Acre e ex-ministra do Meio Ambiente

TERRA MAGAZINE

Foto-legenda: Lula tropeça na saída do Palácio do Eliseu, em Paris


PARIS - O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, tropeçou e quase caiu em frente ao Palácio do Eliseu, em Paris, após encontro com o presidente francês Nicolas Sarkozy

Os presidentes Lula e Sarkozy conversaram sobre assuntos que dizem respeito aos dois países, entre os quais destacaram sua ambição de "desenvolver conjuntamente uma verdadeira aviação militar", graças à transferência de tecnologia da França ao Brasil.

Abordaram também a cooperação científica e a possibilidade de abrir a base espacial da Guiana francesa a engenheiros brasileiros, investimentos conjuntos na África e o compromisso dos dois países de preservar a biodiversidade na Amazônia.

PORTAL IG/ÚLTIMO SEGUNDO

Ronaldinho e Gisele estão entre os jovens famosos mais ricos do mundo


da Efe, em Nova York

O jogador do Milan Ronaldinho Gaúcho, 29, e a top model Gisele Bündchen, 28, estão entre as dez celebridades com menos de 30 anos mais bem pagas do mundo, segundo um ranking divulgado nesta segunda-feira (6) pela revista "Forbes".

O meia-atacante brasileiro, que faturou US$ 30 milhões de junho de 2008 a junho de 2009, aparece em sexto na lista da publicação americana, graças aos contratos publicitários que tem com empresas como Nike, Pepsi e EA Sports.

Já a top Gisele, que em 12 meses ganhou US$ 25 milhões com trabalhos para marcas como Rampage, Max Fator, Ebel, True Religion e Versace, ficou em décimo, na frente da tenista russa Maria Sharapova (22 anos/US$ 22 milhões) e da cantora americana Taylor Swift (19 anos/US$ 18 milhões).

Segundo a "Forbes", a celebridade com menos de 30 anos mais bem paga do mundo é a cantora americana Beyoncé Knowles.

Em segundo lugar, porém distante da ex-integrante do Destiny's Child, aparece o piloto finlandês de Fórmula 1 Kimi Raikkonen.

Os cálculos da publicação mostram que os famosos mais bem pagos do mundo com menos de 30 anos têm a idade média de 23. Eles são, em sua maioria, atletas, cantores e atores. Juntos, faturaram US$ 410 milhões no ano passado.

A que mais contribuiu para essa quantia, sem dúvida, foi Beyoncé. Aos 27 anos, a cantora ganhou US$ 87 milhões entre 1º de junho de 2008 e o mesmo dia de 2009.

Nesse período, ela lançou um disco, estrelou dois filmes, apresentou-se na cerimônia do Oscar e na posse do presidente Barack Obama, saiu em turnê mundial, ampliou a linha de roupas que assina e assinou vários contratos publicitários.

Já Raikkonen, que é o piloto mais bem pago da F-1, tem um contrato com a Ferrari até o fim de 2010 e fará 30 anos em outubro, faturou US$ 45 milhões.

Outro atleta compõe o pódio das celebridades mais jovens e ricas do planeta: o jogador de basquete LeBron James, 24. O versátil ala do Cleveland Cavaliers embolsou US$ 40 milhões em 12 meses. Grande parte desse dinheiro veio de contratos publicitários com empresas como Nike, Upper Deck, State Farm Insurance e VitaminWater.

Em quarto lugar no ranking da "Forbes", ficou Britney Spears. A cantora americana, de 27 anos, faturou US$ 35 milhões com a turnê e o álbum "Circus".

O tenista suíço Roger Federer (5º/27 anos/US$ 33 milhões), a atriz e cantora americana Miley Cyrus (7º/16 anos/US$ 25 milhões), os irmãos Nick, Joe e Kevin Jonas, do Jonas Brothers (8º/16, 19 e 21 anos/US$ 25 milhões), e o ator britânico Daniel Radcliffe (9º/19 anos/US$ 25 milhões) completam a lista.

FOLHA ONLINE

Justiça passa controle de bens de Michael Jackson a advogado


Um juiz de Los Angeles concedeu o controle temporário dos bens de Michael Jackson ao ex-advogado do cantor John Branca e ao executivo de música John McClain nesta terça-feira, depois que um testamento de sete anos veio à tona

Na semana passada, quatro dias após a morte do astro da música, a Justiça havia passado o controle sobre os bens de Michael Jackson à sua mãe, Katherine Jackson, uma das principais beneficiárias de seu testamento, junto aos três filhos do cantor.

O testamento, no entanto, aponta Branca e McClain como co-executores. Branca havia sido recontratado por Michael Jackson apenas algumas semanas atrás.

O advogado de Katherine Jackson já expressou preocupação pela decisão da Justiça.

Os bens sob controle de Branca e McClain – estimados em meio bilhão de dólares - incluem o rancho do cantor, Neverland, e os direitos sobre um catálogo de músicas que inclui vários artistas, entre eles os Beatles.

Funeral

O funeral do cantor deverá ser realizado nesta terça-feira, em uma cerimônia “privada”, apenas para a família, em um cemitério de Los Angeles, segundo informações recebidas pela BBC.

A polícia confirmou que o evento vai ocorrer no cemitério Forest Lawn, mas ainda não foi confirmado se o cantor será enterrado no local.

Uma outra cerimônia em memória a Michael Jackson será realizada algumas horas depois no ginásio esportivo Staples Center, com a presença de 11 mil pessoas, entre elas 8.750 fãs sorteados aleatoriamente.

Outras 6.500 pessoas foram sorteadas para acompanhar o evento em um telão, em um teatro próximo ao local.

Entre os convidados para a cerimônia estão os cantores Mariah Carey, Lionel Ritchie, Smokey Robinson e Stevie Wonder.

Os fãs sorteados começaram a recolher seus ingressos e passes nesta segunda-feira, e horas depois alguns ingressos já estariam à venda no mercado negro.

O Departamento de Polícia de Los Angeles se prepara para multidões e pediu às pessoas que fiquem em casa e vejam a cerimônia pela TV.

As estimativas são de que 70 mil pessoas compareçam à região para tentar chegar perto do estádio.

BBC BRASIL

Passa bem único sobrevivente de chacina que matou cinco sem-terra

Ana Paula Neiva

Está internado no Hospital Regional do Agreste, em Caruaru, o único sobrevivente de uma chacina registrada ontem no município de Brejo da Madre de Deus, no Agreste do estado. Erionaldo José da Silva também foi baleado no braço e socorrido inicialmente ao Hospital de Santa Cruz do Capibaribe, a 192 quilômetros do Recife. Em seguida, ele foi transferido para o Hospital Regional do Agreste (HRA), em Caruaru, onde passa bem.

A mesma sorte não tiveram os outro cinco trabalhadores rurais ligados ao Movimento dos Sem Terra (MST) que foram assassinados. São eles: Natalício Gomes da Silva, 36 anos, Juarez Cesário da Silva, 20, um rapaz identificado apenas por Dedé, Olímpio Cosme Gonçalves e João Pereira da Silva, 39 anos, líder do assentamento Chico Mendes. Todos foram mortos a tiros na chacina. O crime aconteceu no início da noite de ontem na Fazenda Garrote, no Distrito de São Domingos, município de Brejo da Madre de Deus, distante 164 quilômetros do Recife.

Os corpos das vítimas estão sendo periciados no Instituto de Medicina Legal (IML) de Caruaru e devem ser liberados para sepultamento a partir do meio dia de hoje. Familiares dos mortos já estão no local. Ainda não há confirmação sobre hora e local dos enterros.

De acordo com informações repassadas pelo movimento, há cerca de um mês os sem-terra do assentamento Chico Mendes estavam construindo dez casas de alvenaria. Ontem, enquanto trabalhavam na obra, dois homens chegaram numa moto e anunciaram um assalto. No entanto, nada foi roubado.

Quatro homens morreram ainda no local. Olímpio chegou a ser socorrido, mas morreu na unidade de saúde de Garanhuns. Ao todo, 30 famílias moram no assentamento Chico Mendes, que existe há cerca de três anos.

A delegada de plantão de Santa Cruz do Capibaribe, Carmem Lúcia Silva de Andrade, responsável pela regional do Agreste, ficará a cargo das investigações. As diligências iniciaram ainda na noite de ontem.

O líder do movimento, Jaime Amorim, afirmou não acreditar no crime por conflitos agrários, mas não quis descartar nenhuma hipótese, até que sejam confirmadas as investigações policiais.

Memória - Em fevereiro deste ano, dois integrantes do MST foram autuados por homicídio qualificado, acusados de matar quatro seguranças da fazenda Jaboticaba, na cidade de São Joaquim do Monte, Agreste de Pernambuco. A chacina teria sido motivada porque os seguranças tentaram recuperar fotos tiradas pelos trabalhadores rurais, em que as vítimas apareciam armadas.

DIÁRIO DE PERNAMBUCO

"Pierrot" de Johannes

Julho 06, 2009

Terras do Nunca


João Pereira Coutinho


de Lisboa

Pobre Michael Jackson. O homem morre como todos morremos. Radicalmente só. Com o coração a despedir-se prosaicamente do corpo. O mundo, em choro e transe, não acredita. Um mito não morre assim. Porque assim morremos nós, anônimos e mortais, mergulhados na nossa própria miséria. Os mitos só morrem por acidente ou conspiração invejosa de terceiros, que não aguentam o brilho incandescente da estrela.

John Kennedy não foi abatido pelo fracassado Lee Oswald numa manhã funesta de Dallas. Kennedy foi assassinado pela CIA, pelos cubanos, pelos soviéticos, pela máfia, eventualmente pelos extraterrestres.

O mesmo para a "Princesa do Povo", Diana Spencer. Uma vítima de um motorista alcoolizado e irresponsável numa noite de Paris? Não, mil vezes não. Diana foi vítima da Família Real inglesa, que a desprezava para lá do tolerável. Para dar mais requinte ao episódio, há quem garanta que Diana estava grávida. A autópsia não confirmou. Mas quem se prende a pormenores? Eu, por mim, aposto que eram gêmeos.

E, agora, Michael Jackson: ele não morreu por excessos vários e loucuras evidentes. Foi o médico; foi a empregada; foi o Rato Mickey quem acabou com o cantor.

Deixemos as teorias da conspiração para as mentes conspiratórias. No meio do sentimentalismo vulgar, e quase religioso, com que o planeta chora a morte de Jackson, a única declaração vagamente sensata foi dita pelo próprio presidente americano. E que nos disse Obama?

Para começar, que Jackson foi um músico de talento. Difícil discordar, embora o Jackson que eu aprecio morreu no dia em que nasceu o Jackson que grande parte do mundo aprecia, ou seja, em 1979 com "Off the Wall". O single prodigioso que os Jackson Five editaram dez anos antes, "I Want You Back", é incomparável com qualquer obra posterior. Opinião pessoal. Do Michael Jackson a solo, admiro apenas o bailarino. Brinco? Não brinco. Fred Astaire também não brincava quando dizia, na década de 80, que Jackson nascera demasiado tarde. Tivesse ele vivido nos anos 30 ou 40 e teria feito as delícias de Busby Berkeley ou Vincent Minelli. Quem aprecia musicais sabe do que falo.

Mas Obama não elogiou apenas o talento. Obama foi corajoso e lamentou a figura profundamente trágica de Michael Jackson. Nos próximos anos, saberemos mais sobre essa tragédia. Mas aposto que a origem dela está num homem que, para usar as palavras de um francês célebre, alimentou uma "náusea-de-si-próprio" ao longo da vida: uma náusea da sua própria negritude e, talvez mais importante, uma náusea da sua própria humanidade, por definição mutável e perecível. Não admira que, ano após ano, ele tenha tentado golpear essa humanidade, perseguindo um ideal estético que era, aos olhos do mundo, caricatural e infantil. E, aos olhos dele, eterno e pós-humano.

Disse anteriormente, citando Fred Astaire, que Michael Jackson não viveu nas décadas de 30 e 40 para inscrever o seu nome na tradição dos grandes musicais. Mas é possível recuar mais um pouco e lamentar que Jackson não tenha nascido e vivido em finais do século 19, inícios do 20. E que não tenha conhecido uma alma gêmea como J.M. Barrie, o escritor para quem a infância era, simultaneamente, o melhor e o pior dos mundos. O melhor, pelo encantamento permanente que lemos em "Peter Pan" ou no injustamente esquecido "The Little White Bird". Mas também o pior dos mundos, porque capaz de antecipar a corrupção futura: a maturidade, o envelhecimento, a perda da inocência.

Não sei se Jackson leu Barrie. Provavelmente. Mas sei que lhe roubou o nome para o seu rancho, "Neverland", essa "Terra do Nunca" onde os rapazes não crescem. Tivesse Michael Jackson lido "Peter Pan" com atenção e saberia que, mesmo na "Terra do Nunca", os rapazes não crescem mas também morrem.

João Pereira Coutinho, 32, é colunista da Folha. Reuniu seus artigos para o Brasil no livro "Avenida Paulista" (Record). Escreve quinzenalmente, às segundas-feiras, para a Folha Online

FOLHA ONLINE

Encontrado laboratório gigante de cocaína na Bolívia


Mery Vaca De La Paz para a BBC Mundo

Um laboratório gigantesco de processamento de cocaína, com capacidade para produzir até 100 quilos da droga por dia e três toneladas por mês, foi descoberta na área rural do departamento (Estado) de Santa Cruz, na Bolívia.

O governo de Evo Morales informou que esta foi a maior descoberta na história da luta contra o narcotráfico no país e chamou a operação de “o golpe mais importante”, segundo disse nesta segunda-feira o ministro de Governo, Alfredo Rada, em uma conferência de imprensa em La Paz.

Segundo Rada, o laboratório teria custado US$ 1,5 milhão (cerca de R$ 3 milhões) e a propriedade onde ela está localizada vale cerca de US$ 4 milhões (cerca de R$ 8 milhões).

Segundo o governo, este é o quarto laboratório com grande capacidade de processamento de drogas encontrada neste ano na região sul da Bolívia.

Levando-se em conta que as instalações teriam sido erguidas há cerca de um ano, o governo se pergunta por que o DEA (a agência anti-drogas americana) não encontrou esses laboratórios.

“Onde estava o DEA?”

“Como é possível que toda essa infra-estrutura do narcotráfico, que estava instalada e funcionando há um ano na Bolívia, não tenha sido detectada pelos serviços especializados do DEA na Bolívia?”, perguntou o ministro Rada.

Em novembro passado, o presidente Evo Morales suspendeu as atividades do DEA no país, acusando seus funcionários de conspirar contra seu governo.

Na operação em que se descobriu olaboratório, foram presos cinco colombianos. Segundo o comandante da Força Especial de Luta Contra o Narcotráfico (FELCN, na sigla em espanhol), Oscar Nina, outros colombianos foram presos nas descobertas anteriores.

O ministro Rada destacou que a tecnologia usada nesses laboratórios veio da Colômbia, mas descartou a presença de cartéis na Bolívia.

Maior potencial de produção

As apreensões de cocaína aumentaram na Bolívia nos últimos meses o que, segundo o chefe da agência anti-drogas, se deve à eficiência de seus funcionários.

No entanto, o último relatório da ONU sobre drogas indica que a Bolívia aumentou em 9% seu potencial para produzir cocaína e que as plantações de coca – matéria prima da cocaína – aumentaram em 6%.

Em 2007, a Bolívia tinha potencial para produzir 104 toneladas de cocaína por ano, mas em 2008 este potencial aumentou para 113 toneladas.

No ano passado, foram confiscadas 25 toneladas de cocaína na Bolívia, e entre janeiro e maio deste ano, já foram apreendidas 12 toneladas.

O comandante Nina afirma que grande parte da droga apreendida vem do Peru, já que a Bolívia, além de ser terceiro maior país produtor de coca e cocaína do mundo, também está na rota do tráfico de drogas vindas de outros países.

BBC BRASIL

Berços latinos, novas hegemonias


A América Latina apresenta um avanço inegável, por mais lentos e complicados que sejam os processos de integração entre economias tão assimétricas. É contra isso que a direita latino-americana se reagrupa, fazendo de Honduras seu balão de ensaio

A vitória indígena no Peru, obrigando o Parlamento daquele país a revogar dois decretos sobre exploração de recursos naturais, é mais um sinal de que a impotência da solidão, termo criado pelo escritor uruguaio Eduardo Galeano, é um sentimento que se distancia do continente latino-americano. A região do mundo, outrora fraturada e abandonada em mil pedaços, aos poucos, abandona a moldura institucional forjada para privilégios de suas oligarquias e se apresenta como um bloco com identidade e interesses próprios. Um avanço inegável, por mais lentos e complicados que sejam os processos de integração entre economias tão assimétricas. É contra isso que a direita latino-americana se reagrupa, fazendo de Honduras seu balão de ensaio.

A assinatura do tratado de criação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), em maio do ano passado, deu personalidade jurídica a um organismo que tem por objetivo a coordenação social, política e econômica em âmbito regional Algo tão inédito quanto a Cúpula da América Latina e Caribe para o Desenvolvimento e Integração (Calc) que, em dezembro, reuniu 33 chefes de Estado ou seus representantes. Sem presença ou permissão dos Estados Unidos, países até então contaminados por velhos rancores, uniram-se para resolver algumas urgências compartilhadas, como a de evitar que “os impactos da crise financeira afetassem os planos de desenvolvimento, superação da pobreza e crescimento econômico sustentável da região”.

Como destacou o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim “é inacreditável que em 200 anos de independência a América Latina, quando tem uma reunião internacional, tenha que ter ou EUA ou União Européia, o rei da Espanha ou o presidente de Portugal”. Natural que a leitura da direita tenha seguido em rota contrária. Para alguns setores da mídia, o evento serviu apenas de palco para as bravatas de Chávez e Evo Morales, sem trazer qualquer resultado positivo para o bloco da América do Sul e do Caribe. Mas, se o choro é livre, o que conta é a sucessão de inflexões a que temos assistido.

Alain Touraine já havia observado que um dos maiores erros cometidos pelas elites locais foi o de acreditar que a América Latina só avançaria se sacrificasse o bem-estar da maioria para construir uma infraestrutura moderna. Era falsa a crença de que o modelo capitalista liberal fosse uma referência próxima da realidade latino-americana. Se o Chile está perto de apresentar indicadores de países centrais, isso não se deve, como apregoaram muitos ideólogos do capital, aos experimentos neoliberais do governo Pinochet mas à realização de uma reforma agrária, iniciada no governo Frei e ampliada por Allende, que permitiu o desmantelamento de antigos latifúndios e a criação de uma classe ativa de empresários agrários. Convém não esquecer que o sistema educacional chileno nunca deixou de primar pela qualidade.

Na Bolívia, que sofria a perda de suas fontes de prata e estanho, um presidente aynara erradicou o analfabetismo, repetindo o êxito da Venezuela de Hugo Chávez. Rafael Correa, presidente do Equador, cumpre promessa de governo e cancela grande parte da dívida do país. Tabaré Vázquez, que preside o primeiro governo socialista do Uruguai, mantém, em seu último ano de governo, popularidade que bate na casa dos 61%. Passados 74 anos da Guerra do Chaco, os presidentes do Paraguai, Fernando Lugo, e da Bolívia, Evo Morales, proclamam o que chamam de “irmandade binacional”, reiterando compromisso de não mais haver enfrentamento entre os dois países. É intensa a percepção de que separados não teremos destino.

O que acontece na América Latina é a ruptura de um paradigma que não admitia que a oposição de esquerda se fizesse a partir da auto-organização da classe trabalhadora, de partidos novos, de sindicatos e de movimentos sociais que não estavam ligados de forma clara à luta de classes, como o dos indígenas que adquire centralidade cada vez maior na região. Os blocos de poder conservadores, com seus discursos estruturados e argumentados, que apareciam como o “dever ser”, o “poder ser” e o “que vai ser”, perderam, junto com a esquerda tradicional, para uma política que se reinventa no interior das contradições, dos conflitos e da tessitura tensa dos mundos do capital e do trabalho. Uma bela lição que balança o berço das oligarquias e da burguesia liberal do continente. Uma aula de hegemonia posta à prova em Tegucigalpa.

* Publicado originalmente no Jornal do Brasil

Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil

Após três décadas de parceria, Gugu e SBT rompem contrato


O apresentador Gugu Liberato e o SBT decidiram encerrar o contrato de ambos faltando cerca de nove meses para seu término. A informação é da coluna "Ooops!", do UOL.

De acordo com informações da coluna, em reunião ocorrida nesta segunda-feira (6) no Complexo Anhanguera, da qual participaram também Silvio Santos e Guilherme Stoliar, superintendente comercial do SBT, ficou acertado o fim do vínculo entre o apresentador e a emissora. Com isso, Gugu já está liberado para começar a trabalhar na Record.

A reunião foi amigável e Gugu já não apresenta mais o "Domingo Legal" no próximo domingo (12). O nome do programa até então apresentado por Gugu no SBT continua pertencendo à emissora, que ainda não sabe se irá mantê-lo em sua grade após a saída do apresentador.

Na semana passada, representantes de Gugu ameaçaram rescindir o vínculo por considerarem que a emissora vinha quebrando cláusulas do contrato, o que foi negado pelo SBT.

Desde o dia 28 de junho, o horário do programa "Domingo Legal" foi alterado, passando para a faixa das 12h às 16h, o que causou descontentamento por parte do apresentador.

O SBT também decidiu impedir a entrada do diretor do programa, Homero Salles, na emissora, alegando que ele "agia em prejuízo à empresa, ao aliciar profissionais para concorrentes'.

De acordo com a "Ooops!", em março, o SBT procurou Gugu e ofereceu renovação por quatro anos, mas, segundo a coluna apurou, com valores inferiores aos atuais. Isso o fez descartar a proposta.

Mesmo após a proposta da Record, em maio, o SBT teve a garantia contratual de um prazo de cinco dias úteis para fazer uma contra oferta. A emissora de Silvio Santos não apresentou uma nova proposta e, após o prazo, Gugu assinou com a Record.

FOLHA ONLINE